Peixoto, taxista boa-praça, era considerado um sujeito tranquilo e correto pelos colegas, clientes e parentes. Ávido fã de Fórmula 1, mesmo depois da morte do Senna: nunca perdeu uma corrida. Já passava um pouco dos 40 anos — alguns cabelos grisalhos, a pele morena mestiça com suas ranhuras — e três filhas da mesma última mulher, Ana, com quem era casado há 12 anos.
O problema de Peixoto não era dinheiro: tinha uma clientela grande, trabalhava num bairro abonado, ponto invejado por outros de sua profissão. As filhas não davam dor-de-cabeça — não muitas. Escola, diversão, remédios… Conseguiam pagar tudo. Ana ajudava muito em casa, e às vezes organizava festas para fazer uma graninha extra: era boa companheira, mãe e esposa. Tinham, em resumo, uma vida familiar tranquila — muitos diriam, “abençoada”. Continue lendo O corno mais feliz do mundo…